O Consulado fica no 18° andar do edifício, e de frente para a Baía de Guanabara. Chegando lá em cima, ele teve uma visão do inferno. Estava lotado. Era uma fila que não tinha fim e não andava. E lá foi ele pra fila.
Está ele lá, parado na fila há uma meia hora, cansado e de saco cheio, sem PN pra fazer, a não ser olhar pelo janelão que emoldura a magnífica vista da Baía da Guanabara ao fundo. Foi quando, a certa altura, ele notou algo de estranho pintado no vidro do janelão. Era um aviso:
É EXPRESSAMENTE PROIBIDA A OBSERVAÇÃO DA PAISAGEM DURANTE MUITO TEMPO.
Essa, eu juro que nem EU, previ! Simplesmente fantástico! E mais fantástica foi a reação dele.
Ele disse que começou a xingar, já estava cansado de ficar ali meia hora em pé, sem PN pra fazer a não ser olhar pela janela, e quando se deu por conta tem um aviso ridículo daqueles? Aí veio um cara com meio metro de altura da segurança com um papel assinado pelo Cônsul mostrando que era sério o negócio e ele ficou mais puto ainda.
Começou a dizer que era uma palhaçada e que só podia ser inveja do Brasil, entre outros elogios menos elegantes.
Nisso, ele notou um coroa alto parado no canto, com um bigode daqueles igual ao do português do botequim, que faz aquele voltinha pra cima (palavras dele); e eu logo apelidei-o de ‘seo Manoel’. O ‘seo Manoel’ ficava só olhando pra ele ali xingando e o segurança meio-metro tentando explicar com o papel na mão e toda hora olhando com medo pro ‘seo Manoel’. E ele, o taxista sem entender o porquê de tanto medo.
Mais meia hora, totalizando uma hora, e ele finalmente entrou para ser atendido. No que ele me pergunta.
Ele – Quando entrei, adivinha quem era o Cônsul...
Brida – Ah... Essa é fácil. O ‘seo Manoel’!
Ele – Pior que era. Como você adivinhou?
Brida – Porque você é como eu. Tudo em que houver a mínima probabilidade de acontecer, é o que vai acontecer.
Ele – Pois é, como eu já tinha feito M**** mesmo, continuei o meu discurso dizendo que era um absurdo e bla-bla-bla...
Nisso, chegamos ao meu destino, o que, confesso, me deixou triste, pois poderia ouvir mais estórias como essa. Agradeci pela estória e disse que iria escrevê-la ainda. Estou cumprindo a minha palavra. Hoje vou ver se deixo lá no ponto do táxi dele o endereço do blog para ele ler depois.
Quando estava descendo do táxi, desejei boa sorte a ele e que ele não tenha que voltar tão cedo ao Consulado. Ao que ele arrematou:
- E o pior é que eles nem dizem quanto é esse “MUITO TEMPO”!








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